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Coco Chanel e o feminismo
Fashion, Beauty, Travel, Food

Falar que Gabrielle Bonheur Chanel foi uma figura feminista é, no mínimo, contraditório se aplicarmos o significado que damos ao feminismo hoje. No entanto, ao observarmos as nuances de uma mulher que viveu fora dos padrões de sua época e atuou em favor de uma maior liberdade feminina, é possível afirmar que, mesmo inconscientemente, Coco Chanel incorporou práticas que hoje associamos ao feminismo.

Costureira que, nas horas vagas, cantava em um cabaré, Coco tem uma origem de apelido incerta. Alguns acreditam que tenha surgido de uma música que interpretava; ela própria afirmava que era como seu pai a chamava, outros, conhecendo sua vida afetiva, sugerem uma alusão às cocottes, termo utilizado para designar as amantes sustentadas da época.

Fato é que Chanel utilizou os recursos e conexões que conquistou para construir sua própria marca, que se tornaria uma das maiores maisons de moda do mundo. Foi também a única estilista a integrar a lista das 100 pessoas mais influentes do século XX, elaborada pela revista norte-americana Time.

Coco Chanel contribuiu para transformar a maneira como as mulheres se vestiam e se movimentavam no mundo. Abandonou os espartilhos, incorporou tecidos considerados “grosseiros”, como o jersey, e “pobres”, como o tweed, além de adaptar peças do guarda-roupa masculino, como o blazer, ao vestuário feminino.

O tweed, talvez o código mais importante de sua marca, era originalmente associado ao vestuário utilitário das classes trabalhadoras e às atividades ao ar livre da aristocracia britânica. Considerado um tecido pouco refinado para a alta-costura feminina, foi ressignificado por Chanel ao ser incorporado às suas criações. Assim, ela subverteu os códigos de elegância da época e demonstrou que sofisticação e praticidade poderiam coexistir.

Suas criações acompanharam as mudanças sociais vividas pelas mulheres do início do século XX, oferecendo conforto, praticidade e maior autonomia.

Ignorar as contribuições práticas de Chanel para a emancipação feminina não diminui sua importância. Chanel nunca se associou aos movimentos feministas organizados e, por vezes, expressou visões conservadoras sobre o papel da mulher. Ainda assim, seu próprio modo de viver desafiou convenções sociais, e sua influência na moda atravessou gerações, tornando-se sinônimo de elegância, e sofisticação. Sua estética também celebrava uma profunda admiração pela feminilidade e pelo ato de ser mulher.

Conservadora para a modernidade, disruptiva outrora.

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