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Em terra de Inteligência artificial, quem tem talento é rei

Quando todos temos acesso às mesmas ferramentas, o diferencial volta a ser o talento.

Hoje, a moda atravessa uma fase em que o lema parece ser: “nada se cria, tudo se copia”. Mas, sendo sincera: será que não foi sempre assim? Então, por que estamos tão preocupados?

O problema não é a cópia em si, ou a tal da “inspiração”, termo politicamente correto que usamos para mascarar o óbvio. O verdadeiro problema está na paralisia criativa: em não criar nada além da cópia. O perigo mora na crença de que talento, repertório e visão criativa possam ser substituídos por aplicativos e integrações. E, nas marcas, isso fica evidente.

Não é apenas uma questão de direitos autorais; é uma questão de talento. É o talento que sustenta uma marca a longo prazo.

Dias atrás, me deparei com um post sobre a Vogue de antigamente e como suas capas eram, majoritariamente, ilustradas à mão. O período compreendido entre o início do século XX e a década de 1930 é considerado a “Era de Ouro” da ilustração de moda. Grandes artistas da época, como George Wolfe Plank, Georges Lepape, Helen Dryden, Eduardo Garcia Benito e André Édouard Marty, criavam obras originais usando aquarela, guache e nanquim. Mais do que apresentar tendências, entregavam verdadeiras obras de arte influenciadas pelo Art Nouveau e pelo Art Deco.

Embora eu reconheça que a fotografia seja uma arte sublime e que temos capas memoráveis graças a ela, assinadas por nomes como Irving Penn, Annie Leibovitz e Peter Lindbergh, a minha reflexão cria um paralelo: naquela época, não existiam IA nem atalhos tecnológicos. Era necessário, acima de tudo, talento.

Acredito que o novo e o tradicional possam caminhar juntos. Por que então insistimos na ideia de que, para abraçar um, precisamos abandonar o outro? Será mesmo que, diante de tanta facilidade para copiar, criar ainda não é a melhor estratégia?

Grandes nomes como Tom Ford, John Galliano e Coco Chanel entraram para a história porque foram criadores, não repetidores. E eu me pergunto: ninguém mais quer entrar para a história? Qual é o sentido de uma marca se ela não deixa uma identidade própria?

Talvez a questão não seja onde estão esses talentos, mas se ainda estamos dispostos a valorizá-los. Porque, em terra de IA, o que continuará diferenciando marcas e criadores não será a capacidade de gerar imagens em segundos, mas a coragem de criar algo que ninguém mais poderia imaginar.

Onde estão os talentos do “feito à mão”, aqueles artistas cujo traço é capaz de atravessar gerações?