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Les favoris de Cannes

O último Festival de Cinema de Cannes, precisamente sua 79ª edição, realizada de 12 a 23 de maio, reuniu mais uma vez grandes nomes do cinema mundial e inúmeras celebridades que encontram no tradicional tapete vermelho francês uma oportunidade de visibilidade internacional.

Além de todo o business que envolve o festival, essa visibilidade também traz o glamour que nós, apaixonados por moda, aguardamos ansiosamente todos os anos: os belíssimos vestidos desfilados pela Riviera Francesa. Do aero look escolhido para chegar à cidade aos looks gala exibidos diante de milhares de fotógrafos do mundo todo.

Sem qualquer crítica a estilistas ou designers, separei apenas os modelos que fizeram meus olhos brilharem. E sim, sinto falta, em algumas premiações, de um pouco mais de empenho nas composições. Por isso, vou apresentar minhas candidatas favoritas, explicando o motivo por trás de cada escolha. Não necessariamente em ordem de preferência:
  1. Ruth Negga surgiu em um Dior verde de comprimento longo, com detalhes em renda preta e franjas, quase em uma estética Art Nouveau. A delicadeza do vestido me impressionou justamente pelo contraste com os grandes modelos volumosos que dominaram o festival. E ela não foi a única a ir por este caminho.
  2. Cate Blanchett apareceu em um Givenchy na mesma proposta de Ruth: longo, esguio e repleto de franjas. Franjas que ecoavam dos bordados como a continuação da tinta em uma pintura. Magnífico, elegante e sofisticado.
  3. Bella Hadid surgiu em um Schiaparelli feito sob medida para seu corpo escultural. Ao contrário da proposta de Jane Birkin, que eternizou vestidos mais soltos e boho, Bella reformulou essa estética à sua própria maneira, e não decepcionou. Havia uma simplicidade e uma beleza extremamente conectadas ao imaginário fashion de Jane, sua musa inspiradora.
  4. Sharon Stone apostou em um Miss Sohee Couture trabalhado com flores bordadas em cristais e uma esfumatura em preto, branco e cinza. Nas costas, uma estola gigante completava a composição. Glamour puro dos anos 50. Digno de uma verdadeira estrela de cinema.
  5. Coco Rocha vestiu um clássico preto sem alças, elegante e dramático, transbordando por plumas exuberantes de Georges Chakra Couture. A representação perfeita de uma diva clássica do cinema.
  6. Barbara Palvin trouxe uma elegância angelical em um Miu Miu azul-claro para anunciar sua primeira gravidez ao lado do esposo, Dylan Sprouse. Lindos, radiantes. Ela parecia flutuar sobre o tapete vermelho.
  7. Chiara Ferragni, a convite da Roberto Cavalli, desfilou um longo verde inteiramente bordado, um misto entre o Dior de Ruth Negga e o Givenchy de Cate Blanchett, com detalhes em veludo. Preciso admitir que incluir Chiara em uma lista de mais bem vestidas não costuma ser tarefa fácil, justamente pela frequente falta de empenho em suas escolhas. Mas, desta vez, com Cavalli, surgiu discreta, elegante e extremamente refinada. Ganhou seu ponto.
  8. Por último, quero destacar a única brasileira que realmente me encantou no red carpet: Verena Figueiredo. Talvez justamente por acompanhá-la nas redes sociais, percebo como consegue manter sua identidade estética e adaptá-la às mais diversas ocasiões e eventos dos quais participa. E, claro, ela estava deslumbrante em sua composição assinada pela Lo de Lui. Quanta personalidade! Belíssima!

É uma pena que nossas representantes brasileiras nem sempre, talvez por exigências das próprias marcas, escolham ousar quando chegam a um patamar tão grande de visibilidade. É como ter diante de si uma ocasião histórica e desperdiçá-la com looks que não serão comentados, lembrados ou reverenciados.

Talvez seja exatamente por isso que Cannes continue fascinando tanto. Porque nunca foi apenas sobre cinema. Durante alguns dias, a Riviera Francesa se transforma em um grande palco de construção de imagem, fantasia e permanência estética. E, em meio a tantos flashes, vestidos e performances cuidadosamente calculadas, alguns looks conseguem fazer aquilo que a moda tem de mais poderoso: criar memória.