Biarritz foi muito além de um simples destino de veraneio para o desfile da coleção Cruise 2026/27 da Chanel. O local é carregado de história: foi ali, em plena Primeira Guerra Mundial, que Coco Chanel abriu sua terceira loja e, diferente das anteriores, esta foi sua primeira verdadeira Maison de Couture.
Mais do que um negócio, essa unidade simbolizou a alforria de Gabrielle. Foi o lucro de Biarritz que permitiu a Coco conquistar sua independência financeira perante Boy Capel, seu financiador e amante. E é justamente esse espírito de autonomia e irreverência que a Chanel resgatou em sua nova coleção.
Entre cores e texturas, Matthieu Blazy o diretor criativo, trouxe diversas referências à liberdade, com roupas que garantem movimento e versatilidade. Uma mulher pronta para qualquer ocasião, como a própria marca definiu.
Entretanto, no quesito acessórios, o debate foi instaurado.
De um lado as sandálias Heel Cap, sem solado, surgiram como uma proposta audaciosa (e que, confesso, não me convenceram), quase um exercício conceitual. Embora provoquem discussão, algo cada vez mais buscado pela moda contemporânea, acabam destoando da elegância natural que a coleção constrói ao longo da passarela.
As bolsas, por sua vez, reafirmaram o poder da marca. Talvez porque a Chanel compreenda que, no fim, são justamente as bolsas que sustentam grande parte de sua força estética e comercial. Bordadas, em materiais naturais, vibrantes ou clássicas, elas surgiram em modelos que transitam entre o irreverente e o atemporal.
Um desfile que, sem dúvidas, prova de que, independente das tendências, o bom gosto da Chanel permanece eterno.

