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Rio Fashion Week – O retorno

Após onze anos, o Rio Fashion Week voltou ao calendário, reposicionando o Rio de Janeiro como palco relevante e, de certa forma, descentralizando o protagonismo da São Paulo Fashion Week como principal vitrine da moda nacional.

E a pergunta que naturalmente surge é: cumpriu o que prometeu?

Com um marketing eficaz, presença digital bem construída e uma identidade visual carismática, o RFW apresentou um line-up bastante diversificado. Ainda assim, a curadoria levanta questionamentos. Com apenas duas marcas de moda praia, segmento tão emblemático para o Rio, e a presença da Adidas, fica a dúvida: isso representa, de fato, o que o Rio tem para mostrar? E, mais do que isso, é isso que queremos ver?

Em parte, sim. As marcas exibidas funcionam como uma síntese do que o Rio produz hoje. Mas, como narrativa de retomada, a sensação é de que poderia ter ido além. O evento entregou charme, identidade e a bossa carioca que se espera,afinal, o “Brasil tá na moda”! Mas justamente por isso, precisa e merece ser mais.

Precisamos, sim, da elegância da Misci, da força artesanal de Helô Rocha, da sofisticação de Lenny Niemeyer e da visão internacional da Osklen. Mas também precisamos de consistência em todos os níveis, especialmente no casting.

E aqui está um dos pontos mais frágeis de alguns desfiles. Não se trata de uma discussão entre modelos profissionais e Influenciadores, mas de preparo. De presença. De entender o papel que se ocupa na passarela.

É possível colocar um vendedor de mate para desfilar, como fez a Blue Man, e ele comunicar perfeitamente a proposta. Assim como é possível escalar modelos considerados “profissionais” que, ainda assim, não sustentam o momento. E não é justamente esse o papel deles?

Porque, afinal, qual é o objetivo de uma Fashion Week? Exibir, vender e posicionar uma coleção/marca ou apenas celebrar a cultura?

Se a proposta era a segunda, como diríamos nos desfiles carnavalescos: nota 10.

Mas, se a intenção é consolidar a moda brasileira como potência competitiva no cenário internacional, tratando coleção como produto, imagem como estratégia e passarela como negócio, vamos precisar comer ainda muito feijão com arroz.

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